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Ela abre a porta
e nos recebe.

Liniker

O sorriso no rosto,
o moletom cinza e a voz marcante
nos convidam para entrar.

Liniker de
Barros
Ferreira
Campos.
24 anos.
Natural de
Araraquara.
Cantora.

"Comecei escrevendo, escrevia muito. Coisas com nexo, coisas sem nexo. Contudo, quando eu compreendi que estava fazendo aquilo para doer menos em mim, entendi que a música, a letra e o canto são modos terapêuticos de autocuidado. Fazer isso com a música é um portal, sabe. Ao mesmo tempo que eu estou me curando, outras pessoas estão sendo curadas. Eu me vejo nelas, e sou capaz de me autoavaliar."

"Nós como banda
escolhemos
o caminho
da liberdade,
a gente se ama
enquanto soma."

“Estou em um processo de me permitir ainda. Quando você começa a ganhar seu dinheiro, sendo muito nova, existe uma culpa ancestral, aqui falando de negritude, porque várias pessoas negras não estão nesse espaço que eu estou e tenho. Ninguém da minha família teve isso, ninguém nunca andou de avião. São culpas que eu precisei entender na terapia e preciso desapegar, é meu trabalho. Nada está sendo ganhado, é conquista atrás de conquista. É cada vez mais sobre demarcação de espaço, porque não podemos nos sentir reprimidos em um espaço que também é nosso. Quando eu digo que sentia culpa de ter acesso a coisas que não tinha, é uma restituição de poder que tiraram da gente há séculos. É muito gratificante que meu trabalho e a minha luta estejam alinhados com outros trabalhos

e outras lutas. Resistência e existência, porque existir já é um ato político. O que também engloba o meu processo de transição, que comecei há dois anos: fazer tudo isso com pessoas sabendo quem você é, acaba contribuindo para uma cobrança de saber como foi, como está sendo, como é ser uma travesti.”

“Ainda escuto muito: 'Você é muito para fora'... um processo de podação muito grande. E eu vou ficar presa, por quê? Tenho direito de chorar, de me expressar. Não podemos nos deixar levar por uma culpa que não precisamos ter. Tem pessoas que não choram, não falam que amam. O mínimo que podemos fazer por nós mesmos é não sentir vergonha de ser sensível."

"Quero menos, quero pouca maquiagem - e estou me sentindo tão bonita. Quando você se habita está tudo certo."

“Sou muito sensível – e é essa sensibilidade que me dá um gás para realizar as coisas, porque estou sempre atenta àquilo que me atravessa."